1.9.16

sobre as crises dos vinte e poucos


Inesperadamente aquela bolha estourou bem na cara dela, sujando as suas roupas novas. Pois bem, marte duas caras, tem tendencias ao caos do jogo duplo. E perdoou-se, tinha mais gente pra empurrar a culpa que era metade sua. Logo engoliu-se naquele tão conhecido vazio de crises, como agir com o outro, como agir consigo mesma. Perguntou as cartas que, diretas, lhe sugeriram o mesmo caminho que vinham sinalizando todo esse tempo, mas que ela deliberadamente ignorava, cega e egoica que era.
O fato é que durante o percurso dos seus vinte e tantos, ela se corroeu em ressentimento e ódio de si mesma. Aquele não reconhecer-se mais diante de tanta coisa acontecendo tão rápido e tão repentino e, por isso, Perdas e ganhos, ela tinha um punhado de coisas na cabeça, coisas para resolver, coisas a fazer e a cama a engolindo dia a dia na letargia dos remédios controlados.
A sujeira no corpo não foi capaz de limpeza interna, só externa. Mudou os cabelos, as roupas, seus espelhos de lugar, mas permaneceu justamente igual, quebrada e incompleta, odiando-se em silêncio enquanto declarava a todos uma paixão por si mesma.
Após algum tempo relembrando sua curta vida, decidiu que estava na hora de se reinventar, ou melhor, voltar à sua meninez ingenua que lhe rendia tanta paz interior. Aos 15 sabia exatamente quem era, os defeitos e qualidades devidamente em controle. Quis voltar aos 15, reviver a doçura que era andar de braços dados com as amigas. Temer e respeitar o mundo ao mesmo tempo, viver aos pouquinhos, como quem prova uma sopa quente demais e vai pelas beiradas.