3.9.16
sobre as cinzas
Das cinzas o sopro: o cuspe já não abala o meu pesar, desapropria o escárnio, infame, pois ele não me atinge como antes. Das cinzas, me vejo liquida, pois diluída em água me deságuo em seus cabelos secos e caio em poças de lágrimas malditas, ergo-me aurora boreal, fluida e descontínua, só pra ver se você sente esse abalo que é tocar o inatingível lugar oculto do corpo. Tocar lá no fundo, arder pele e osso em brasa, desconstruir-se em pólvora, vento leva os restos, pois cinzas me torno infinita.